quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Reino da Princesa





Em um reino distante havia uma princesa. essa princesa se via como uma pessoa boa e amorosa. Embora sua amorosidade fosse mais passiva.  Ela parecia não saber usar muito palavras de conforto, mas era capaz de escutar sem julgar. Isso já a fazia se considerar amorosa.  E também o fato de não agir agressivamente.  E procurar nunca ofender a outra pessoa.  Era como se fosse uma bondade passiva.  A princesa raramente ia em direção ao outro , mas procurava ser boa para quem fosse ao seu encontro. Ou pelo menos o que ela via como ser boa.


A princesa seria capaz de perdoar tudo em si mesma.  Só havia algo que para ela parecia imperdoável: Prejudicar outra pessoa. Seja de que forma fosse.  Não importa se era consciente ou não.  E por muito tempo ela acreditou que nada havia nela se não bondade.


Mas um dia a Princesa  olhou no espelho e viu ali refletida uma outra parte sua.  Uma parte sombria que ela jamais pensou existir. Essa sombra fazia parecer que sua bondade era uma fachada e nada mais.  Fazia parecer essa parte com a qual sempre se identificou não era real.


Cada vez que a princesa olhava mais horrorizada ficava.  Principalmente quando vou que ela também era capaz de prejudicar outros.  Isso era imperdoável . mesmo que fosse sem querer.  Meso que fosse inconsciente.  E não deixa de ser interessante o fato de que ela não considerava imperdoável fazer mal a si mesma.. apenas aos outros.. Na verdade a princesa se consolava dizendo: "Pelo menos eu só prejudico a mim mesma." Como se isso também não fosse doentio. Como se isso não demonstrasse qualquer falta de auto-amor.  Como se isso fosse de certa forma mais nobre.


Mas como ninguém é perfeito as vezes se magoa o outro mesmo sem intensão.  Mas a princesa não estava preparada para aceitar isso.  E como em um areia movediça foi sendo sugada na lama da culpa.  E a cada dia que passava se convencia mais que ela não era digna de ser um princesa. Que deveria ser outra pessoa a estar no seu lugar.  Começou a pensar dessa forma: "se eu prejudico o meu reino, melhor me desconectar dele. Isso manteria as pessoas a salvo de mim."  Algo totalmente doentio. Se antes ela se identificava apenas com a bondade. Agora se identificava apenas com a sombra.  Só que a sombra era inaceitável  Pois a fazia descumprir a unica regra que ela se obrigava a seguir.

Até que um dia a princesa percebeu que sua culpa além de não fazer bem a ele, não fazia bem ao seu reino. Com a culpa seu reino adoecia também.  Então sua estrategia não estava dando certo.  Não estava dando certo se isolar para manter o reino a salvo.  Por mais que ela tentasse guardar tudo para si, seus sentimentos positivos e negativos iam além dela mesma e eram sentidos por outros.

E então a princesa percebeu que a unica saída era se perdoar por sua ignorância e por sua inconsciência   Ter compaixão por si mesma e não apenas pelo os outros.  E quando não gostar de alguma atitude que teve simplesmente muda-las ao invés de se condenar.  E se não conseguir mudar de imediato persistir até conseguir. Só assim seu reino seria sadio novamente.

2 comentários:

  1. Linda alegoria você criou para falar da sua odisseia de compreensão interna.Interessante perceber que quanto mais a história se encaminhava para o seu interior, ou seja, quanto mais a história se aproximava do seu conflito, mais você se concentrava nela, deixando de lado até a digitação ou a ortografia. Como escrever era algo secundário, o que escrever era o centro de seu empenho. À medida que o conflito foi se dissolvendo, a sombra foi se clareando em seu interior, também a escrita voltou a ser plácida, organizada, porque o seu íntimo estava se organiznado outra ver. Como leitora foi como se eu vivenciasse com você o processo de criação do texto.
    Parabéns pela ideia.

    Também tenho um blog e quero convidar você para me prestigiar sendo um membro. Vou participar do seu. Te espero.

    Abraços e Feliz ano novo!

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  2. só agora vi seu comentário.. certamente irei visitar seu blog.. fico feliz que tenha gostado!!

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