terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Talento de Joana





Joana continua sua aventura fora do quarto. Sim, porque para ela sair do quarto, sair de dentro de si mesma é realmente uma aventura.  A maioria parece ter muita dificuldade para ir para dentro e viver sua vida interior. Mas para Joana sua vida interior sempre foi seu refugio. Talvez pelo fato de ela não ter encontrado muita aceitação no mundo exterior. Ela não tinha talentos. Pelo menos não aquele tipo de talento que deixa as pessoas admiradas. Que fazem as pessoas olharem para você e concluírem que você vale a pena.

Mas Joana sempre teve um talento. Talento que nem ela mesma valorizava. O talento de conseguir passar tempos com sua própria companhia. Joana teve de aprender, se não, não sobreviveria. Joana teve de aprender a se divertir em casa, sozinha em seu quarto. A se divertir simplesmente ouvindo uma boa musica, ou assistindo um filme. Sem a necessidade de companhia o tempo todo.

Sim, isso como tudo pode se tornar um vicio, pois muitas vezes a convivência com outras pessoas pode ser complicada. Mas também é um dom. Afinal não são todas as pessoas que conseguem ficar sozinhas tranquilamente. E isso é algo necessário as vezes. E joana consegue se recolher sem ter a sensação de que vai ficar louca. Isso é um talento que muitas pessoas não tem.

Mas isso não é muito valorizado em um mundo que prioriza o fazer. Em que você tem de ter atividades e ser produtiva o tempo todo. Pessoas mais recolhidas acabam não sendo bem vistas. E o julgamento exterior pode levar ao julgamento interior. Foi isso que ocorreu com Joana. Ela começou a se comparar com pessoas mais extrovertidas e produtivas. Dessas que estão sempre em atividade e não param um segundo e viu que não conseguia ser assim. Joana tem tendencia natural a reflexão.

E por não conseguir concluiu que havia algo errado com ela. E essa crença a cegou para seus talentos e a fez acreditar que não tinha como contribuir com as pessoas.  E então a tendencia ao recolhimento se tornou um vicio. Uma forma de fuga do mundo exterior o qual ela acreditava não pertencer. E, por um tempo, deixou de existir momentos de expansão e o recolhimento eventual tornou-se fechamento completo.

Joana não conseguia mais ver como sua habilidade de ir para dentro poderia beneficia-la. Para ela isso não era mais qualidade e sim uma maldição que a impedia de viver.

Com isso passou a existir auto julgamento, em que ela julgava que deveria ser diferente. e a convivência com ela mesma se tornou difícil também. Ela não tinha mais refugio. Porque com outras pessoas sempre foi difícil e até conviver com ela estava sendo.

Nesse momento Joana não teve escolha a não ser se voltar ao auto conhecimento. E é claro que não foi tão tranquilo assim porque havia nela muito auto julgamento. mas ainda assim a sua habilidade de olhar para si mesma ajudou bastante.

E sua inabilidade com relação ao mundo exterior na verdade foi uma benção. Porque essa habilidade pode distrair da dor interna. Obviamente é importante também, mas assim como ocorre com o fechamento por completo, a atividade exterior também pode se tornar um vicio.

A habilidade de olhar para dentro torna possível a mudança interior que é a mais importante de todas.  Pois só com a mudança interior as mudanças externas podem se manter.

Sem duvida é um talento. Pode não ser um talento que deixe as pessoas de boca aberta e admiradas. Pode não ser algo muito valorizado. Mas na hora de mudanças significativas é um talento que fez diferença.  Faz com que as mudanças tenham base. Joana está aprendendo a valorizar esse talento. Pois quando esse talento é valorizado ele ajuda até mesmo a agir no mundo exterior.

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