segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Metamorfose Ambulante

metamorfose

A maior parte da vida da Flor

foi livre de mudanças

sejam elas interiores  ou exteriores

 

E isso não a incomodava

ela achava melhor assim

gostava da estabilidade

A estabilidade fazia com que

a Flor se sentisse segura

 

Mas de uns anos para cá

tudo mudou.  E a estabilidade

pareceu evaporar no ar

 

A Flor começou a sentir as dores

de coisas passadas  começou a sentir

a dor de que sempre fugiu

a dor que nunca havia se permitido sentir

 

Mas dessa vez parece não ter havido

escolha, acumulou tanto que não dava

não tinha mais aonde esconder

Não havia mais espaço

aquela dor tinha de sair

 

E agora parece ter saído já

grande parte de sua dor

e com essa saída seu interior

muda como nunca antes foi capaz

e o interior da Flor passa a ser

Uma metamorfose ambulante

Um comentário:

  1. Mesmo que aparente não haver mudança, sempre estamos nos transformando. Antes de virar borboleta, a lagarta fica um tempo no casulo. Parece que não há algo se transformando, mas, de repende, eis que surge uma linda borboleta dentro de um casulo que parecia estático. Pode haver resistência, pode haver dor ao liberar o casulo. Mas, por fim, a graça de ser uma borboleta floresce e se irradia por toda a parte!

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