quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pertencer

penhasco2

No começo a Flor tentou

tentou se encaixar

tentou pertencer

em um mundo que

nunca compreendeu

 

Tentou fazer amigos

tentou ter um grupo

mas nada adiantava

 

Então a Flor desistiu

a Flor se conformou

com o fato de nunca teria

um lugar, de que nunca pertenceria

 

O mundo das amizades não parecia

ser para a Flor, ela pertencia

ao mundo dos livros, da teoria

e das fantasias de sua mente

O mundo real definitivamente

não era para a Flor!!

 

Mas quando a insatisfação veio

e a Flor começou a explorar

o novo terreno, a vida real

heins que surge algo que

ela nunca pensou que a ajudaria

A raiva!!!!

 

A raiva pode ser destrutiva

mas parece que é ela quem

es´tá trazendo a coragem que

a Flor precisa para explorar

o novo território

é um sentimento que está

sendo essencial nessa fase

 

Mas a nova exploração está

fazendo eu descobrir algo inesperado

Mais importante do que a Flor

pertencer a algum lugar no mundo

é a Flor pertencer ao seu eu interior!!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Parte Renegada

 

Lírios do Monte

Em sua  nova aventura

em explorar as profundezas

se seu interior a  Flor as vezes

descobre partes bem difíceis de aceitar.

 

Mas Como a Flor percebeu

sem a aceitação total

não é possível a rendição

 

A Flor descobriu uma parte

de si bastante raivosa

e muitas vezes rancorosa

e  as vezes até vingativa

 

Características difíceis para a Flor

aceitar. Afinal não combinam com

o que a Flor achava que deveria ser

Mas como não viu outra opção

a Flor acabou tendo de reconhecer

essa parte. Que tudo isso existe

em seu interior

 

E então a Flor descobriu algo surpreendente

a parte renegada tinha seu lado positivo

Na parte renegada havia vontade de viver

a parte renegada não se contentava

em simplesmente parar  e olhar

olhar a vida passar diante de seus olhos

 

E então a Flor viu que essa parte renegada

só se tornou raivosa e rancorosa

Pelo fato de que ela via que a Flor

estava deixando a vida passar

sem participar dela

e vivendo como se não

estivesse de fato viva.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O que se espera de uma amizade?

 

Amizade

Afinal o que se espera de uma amizade?

Troca? O que seria troca?

porque simplesmente ouvir não é

o suficiente?  Porque é preciso

sempre ter o que dizer?

 

Porque não é suficiente falar sobre

algo parecido que se vive?

Porque uma simples frase mal colocada

ou um simples erro de interpretação

já é capaz de fazer com que a Flor seja

acusada de não acreditar na pessoa?

 

Porque a outra pessoa pode dizer

o que sente em ralação a Flor

mas a Flor não pode dizer o que

sente em relação a outra pessoa?

 

Porque a Flor pode se sentir exigida

muito mais do que pode dar

mas não pode falar sobre isso?

é, relacionamentos são mesmos complicados

estudar os ossos do corpo humano

é bem mais fácil.

 

Mas a Flor continuará tentando

Com outras pessoas se for preciso

até que descubra o segredo

de um bom relacionamento.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Relacionamento e Cobrança

relacionamento

A Flor fugia de relacionamentos

suas experiências não eram boas

era algo que parecia não valer a pena

 

Quando a Flor começou a te-los

achou tão legal que esqueceu o porquê

de tal fuga. Mas algo aconteceu

que a lembrou do motivo

 

A Flor lembrou de algo chamado Cobrança

você precisa me dar atenção

só ouvir não é o suficiente

você precisa se envolver com o que eu digo

 

Quando a Flor sentiu novamente essa pressão

teve vontade de fugir novamente

teve vontade de esquecer qualquer tipo de relação

e ir estudar. Seja o que for. Seja Matemática

Seja química, seja biologia.

 

Qualquer mateia seria mais fácil

que a matéria relacionamento

mas a essa altura a flor jamais faria isso

ela já descobriu que ter relacionamentos

mesmo com dificuldades mesmo com

coisas a superar é mais significativo

do que ter uma vida sem relacionamentos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O patinho Feio

 

p.feio

 

O que postarei aqui não é de minha autoria. Trata-se de uma parte do livro: Mulheres que correm com lobos. E eu me identifiquei muito. è uma analogia com a ghistória do patinho feio. No livro tem essa historia. Mas vou pula-la se não  vai ficar grande demais. Vamos lá:

A procura da nossa turma: A sensação da integração como
uma bênção


O patinho feio: a descoberta daquilo a que pertencemos
Às vezes a vida dá errado para a Mulher Selvagem desde o início. Muitas
mulheres tiveram pais que as observavam enquanto eram crianças e se perguntavam
perplexos como esse pequeno alienígena havia conseguido se infiltrar na família.
Outros pais estavam sempre olhando para os céus, ignorando a criança, tratando-a
mal ou dando-lhe aquele olhar enregelante.
Anime-se a mulher que passou por isso. Você já se vingou por ter sido
"impossível" de criar e uma eterna pedra no sapato deles, embora não por culpa sua.
Talvez até mesmo hoje você seja capaz de lhes inspirar um medo abjeto quando
aparece à sua porta. Até que não está mal em termos de vingança inocente.
Certifíque-se agora de perder menos tempo com aquilo que eles não lhe deram
e de dedicar mais tempo à procura das pessoas com quem você se sinta bem. Pode ser
que você não pertença absolutamente à sua família original. Você talvez combine com
eles em termos genéticos, mas quanto ao temperamento você pode pertencer a um
outro grupo. Ou quem sabe você não pertença à sua família apenas superficialmente
enquanto sua alma escapa, corre pela estrada afora e satisfaz sua gula mordiscando
petiscos espirituais em outras plagas?
Hans Christian Andersen1
escreveu dezenas de histórias sobre o arquétipo do
órfão. Ele foi um importante defensor da criança perdida e negligenciada, e dava
imenso apoio à idéia da procura e descoberta do nosso próprio grupo.
Sua história "O patinho feio", publicada pela primeira vez em 1845, trata do
arquétipo do ser incomum e desvalido, uma história perfeita e similar à da Mulher
Selvagem. Durante os dois últimos séculos, "O patinho feio" foi uma das poucas
histórias a incentivar sucessivas gerações de "gente diferente" a agüentar até
encontrar sua turma.
Trata-se de uma história básica em termos psicológicos e espirituais. Uma
história básica é aquela que contém uma verdade tão fundamental para o
desenvolvimento humano que, sem a incorporação desse fato, o avanço se torna
duvidoso e ninguém consegue prosperar sob o aspecto psicológico enquanto não
perceber essa verdade. Segue-se, portanto, uma  tradução de "O patinho feio", como
me foi contada originalmente no idioma magiar por falusias mesélök, narradores rústicos.

A questão do exílio é antiqüíssima. Muitos contos de fadas e mitos têm como
centro o tema do proscrito. Nesse tipo de relato, o personagem central é torturado
por acontecimentos alheios à sua influência, muitas vezes tendo como origem um
esquecimento fatal. Na história da Bela Adormecida, a décima terceira fada é
esquecida e não é convidada para o batizado o que resulta numa maldição lançada
contra a criança, que na realidade atinge a todos de um modo ou de outro. Por vezes,
o exílio é imposto por pura malvadeza, como quando a madrasta envia a enteada pelo
bosque escuro adentro em "Vasalisa, a sabida".
Em outros casos o exílio é conseqüência de um erro ingênuo. O deus grego
Hefaístos ficou ao lado da sua mãe, Hera, numa discussão com Zeus, seu marido.
Zeus enfureceu-se e atirou Hefaístos do alto do Monte Olimpo, aleijando-o e
banindo-o.
Às vezes o isolamento tem como origem algum pacto no qual se entra sem
plena compreensão do que se trata, como na história de um homem que concorda em
vagar como animal por um determinado número de anos a fim de ganhar uma
quantidade de ouro, e mais tarde descobre que entregou a alma ao diabo disfarçado.
"O patinho feio" tem muitas versões, todas contendo o mesmo núcleo de
significado; mas cada uma, cercada de diferentes enfeites e franjas que refletem o
meio cultural da história bem como o talento poético de cada narrador.
Os significados básicos que nos interessam são os seguintes: o patinho da
história simboliza a natureza selvagem, que, quando forçada a enfrentar
circunstâncias pouco propícias, luta instintivamente para continuar viva apesar de
tudo. A natureza selvagem sabe instintivamente agüentar e resistir, às vezes com
elegância, às vezes sem muito estilo, mas resistindo assim mesmo. Graças a Deus por
esse aspecto. Para a mulher selvagem, a continuidade é uma das suas maiores forças.
O outro aspecto importante da história é o de que, quando a vibração
específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto
uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a
vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira
família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um
todo.

A rejeição à criança diferente
Na história, as diversas criaturas da comunidade examinam o patinho "feio" e
de um modo ou de outro o declaram inaceitável. Na realidade, ele não é feio. Só não
combina com os outros. É tão diferente que parece um feijão preto num balde de
ervilhas. A mãe pata a princípio tenta defender esse patinho que ela acredita
pertencer à sua prole. Afinal, porém, ela fica profundamente dividida em termos
emocionais e deixa de se importar com o filhote estranho.
Seus irmãos e outros membros da comunidade atacam-no, bicam-no e o
atormentam. Sua intenção é a de fazer com que ele fuja. E o patinho feio sente um
aperto no coração, por ser rejeitado por sua própria gente. Isso é terrível,
especialmente levando-se em consideração que ele na realidade não fez nada que
justificasse esse tratamento a não ser ter a aparência diferente e agir um pouco
diferente dos outros. Para dizer a verdade, temos nesse caso, antes mesmo que a
criatura chegue à adolescência, um patinho com um enorme complexo psicológico.
As meninas que demonstram ter uma forte natureza instintiva muitas vezes
passam por sofrimentos significativos no início da vida. Desde a época em que são
bebês, são mantida presas, domesticadas, e ouvem dizer que são inconveniente ou
teimosas. Suas naturezas selvagens revelam-se  bem cedo. Elas são curiosas, habilidosas e possuem excentricidades leve de vários tipos, características estas que,
se desenvolvidas, constituiriam a base para sua criatividade para o resto das suas vi
das. Considerando-se que a vida criativa é o alimento e a água para a alma, esse
desenvolvimento básico é de importância de dolorosamente crítica.
Geralmente, o isolamento precoce começa sem que seja por nenhuma culpa da
criança e é exacerbado pela incompreensão, pela crueldade da ignorância ou pela
perversidade proposital dos outros. Nesse caso, o self básico da psique é ferida desde
cedo. Quando isso acontece, a menina começa a acreditar que as imagens negativas
dela mesma, refletidas pela família e pela cultura em que vive, são não só totalmente
verdadeiras mas também totalmente isentas de preconceito, de influência da opinião
e de preferências pessoais. A menina começa a acreditar que ela é fraca, feia,
inaceitável, e que isso continuará a ser verdade não importa o esforço que ela faça
para reverter a situação.
A menina é rejeitada pelo mesmos motivos que vemos na história do patinho
feio. Em muitas culturas, existe uma expectativa, quando nasce uma filha, de que ela
é ou será um certo tipo de pessoa, que aja de um certo modo consagrado pelo tempo,
que siga um certo conjunto de valores que, se não forem idênticos aos da família, pelo
menos se baseiem nos valores da família, e que seja como for não abale os alicerces.
Essas expectativas têm definições muito estritas quando um dos pais, ou ambos, sofre
do desejo de ter um "anjo de filha", a criança "perfeita" e obediente.
Na fantasia dos pais, qualquer dos filhos que tenham será perfeito e refletirá
apenas o jeito de ser dos pais. Se a criança for rebelde, ela pode, infelizmente, ser alvo
de repetidas tentativas dos pais no sentido de realizar uma cirurgia psíquica, pois eles
estarão tentando remodelar a criança e, mais do que isso, alterar o que a alma da
criança exige dela mesma. Embora sua alma exija ver, a cultura ao seu redor exige a
cegueira. Embora sua alma deseje exprimir sua verdade, ela é forçada ao silêncio.
Nem a alma da criança, nem sua psique, podem aceitar essa situação. A
pressão no sentido de se "adequar", seja qual for a definição que a autoridade dê ao
padrão, pode perseguir a criança até que ela fuja para longe, para um mundo oculto
ou para vaguear muito tempo à procura de um lugar para se abrigar e viver em paz.
Quando a cultura define detalhadamente no que consiste o sucesso ou a
perfeição desejável sob qualquer aspecto — na aparência, na altura, na força, na
forma física, no poder aquisitivo, na economia, na masculinidade, na feminilidade, na
atitude de bom filho, no bom comportamento, na crença religiosa — existem ditames
correspondentes e tendência à avaliação na psique de todos os seus membros.
Portanto, as questões da mulher selvagem rejeitada geralmente são duplas: a íntima e e
pessoal, e a externa e cultural.
Cuidemos aqui das questões íntimas da pessoa rejeitada, pois quando
desenvolvemos uma força adequada — não uma força perfeita, mas uma força
moderada e prática — para sermos nós mesmas e para descobrir a que grupo
pertencemos, podemos então influenciar a comunidade exterior e a consciência
cultural com perícia. O que é uma força moderada? Ela é a que temos quando nossa
mãe interior não  está cem por cento confiante acerca do que fazer em seguida. Uma
confiança de setenta e cinco por cento já serve. Setenta e cinco por cento! é uma boa
proporção. Lembre-se, dizemos que uma planta está em flor, quer os botões estejam
meio abertos, abertos até três quartos, quer estejam totalmente abertos.


As más companhias
O patinho feio vai de um lado a outro à procura de um lugar onde possa
repousar. Apesar de não estar plenamente desenvolvido seu instinto para detectar
exatamente onde ir, o instinto de vaguear até encontrar o que ele precisa está em
perfeito funcionamento. No entanto, ocorre às vezes uma  espécie de patologia na
síndrome do patinho feio. Continuamos batendo nas portas erradas mesmo depois de
más experiências. É difícil imaginar como se poderia esperar que uma pessoa
soubesse quais portas são as certas se ela, para começar, nunca chegou a saber o que
é uma porta certa. No entanto, as portas erradas são aquelas que fazem com que
voltemos a nos sentir proscritos.
Essa reação ao isolamento é a do tipo "procura do amor em todos os lugares
errados". Quando a mulher se volta para um comportamento repetitivamente
compulsivo — reencenando um comportamento frustrante, que provoca a decadência
em vez de uma vitalidade permanente — com o objetivo de abrandar seu isolamento,
ela na realidade está causando mal ainda maior porque a ferida original não está
sendo tratada e a cada incursão ela ganha novas feridas.
Essa atitude se assemelha à de pingar algum remedinho no nariz quando se
tem um talho aberto no braço. Mulheres diferentes escolhem tipos diferentes de
"remédio errado". Algumas optam pelo que é obviamente inadequado, como as más
companhias, os excessos nos prazeres que são prejudiciais e destrutivos da alma, e
tudo que primeiro a incentiva e a coloca lá no alto para depois atirá-la no rés-dochão.
Existem diversas soluções para essas más escolhas. Se  a mulher conseguisse
parar para examinar seu próprio coração, ela veria nele uma necessidade de que suas
habilidades, seus dons e suas limitações fossem respeitosamente reconhecidos e
aceitos. Portanto, para começar a cura, pare de se iludir com a idéia de que um
pequeno paliativo irá consertar uma perna quebrada. Seja franco frente às suas
feridas, e assim terá uma imagem correta do remédio necessário. Não jogue no vazio
o que for mais fácil ou estiver mais disponível. Faça questão do medicamento
adequado. Você o reconhecerá porque ele irá fortalecer sua vida, em vez de
enfraquecê-la.

A aparência indevida
Como o patinho feio, o intruso aprende a evitar situações em que possa agir
certo mas mesmo assim dar a impressão errada. O patinho, por exemplo, sabe nadar
bem, mas não tem a aparência devida. Por outro lado, a mulher pode ter a aparência
perfeita e não conseguir agir corretamente. Existem muitos ditados sobre pessoas que
não conseguem (e que no fundo não querem) esconder o que são, desde um muito
conhecido no leste do Texas "você pode vesti-las com esmero, mas não pode sair com
elas" até um espanhol "ela era uma mulher com uma plumagem negra por baixo da
saia"."
Na história, o patinho começa agir como um  dumm-ling,
12
um pateta, aquele
que não consegue fazer nada certo... ele joga poeira na manteiga e cai no barril de
farinha, mas não antes de mergulhar primeiro no latão de leite. Todas nós já
passamos por isso. Não conseguimos fazer nada certo. Tentamos melhorar. Em vez
disso, pioramos. Não era para o patinho ter entrado naquela casa. Mas isso acontece
quando se está desesperado. Vai-se ao lugar errado em busca da coisa errada. Como
dizia uma querida amigajá falecida não se pode tirar leite na casa do carneiro. Embora seja útil abrir canais até mesmo para aqueles grupos aos quais não
pertencemos e seja importante tentar ser gentil, é também imperioso não nos
esforçarmos demais, não acreditar demais que se agirmos corretamente, se
conseguirmos conter todos os impulsos e contrações da criatura selvagem,
poderemos realmente passar por damas educadas, recatadas, contidas e reprimidas.
É esse tipo de atitude, aquele tipo de desejo do ego de integrar-se a todo custo, que
destrói o vínculo com a Mulher Selvagem na psique. E então, em vez de uma mulher
vital, temos uma mulher simpática, a quem foram arrancadas as garras. Temos,
então, uma mulher bem-comportada, com boas intenções, nervosa, ofegante no
anseio de ser boa. Não, é melhor, mais elegante e muito mais profundo ser o que
somos e como somos, deixando que os outros também o sejam.

Sentimentos congelados, criatividade congelada
As mulheres lidam com o isolamento de outras formas. Como o patinho que
fica preso no gelo do lago, elas se congelam. O congelamento é a pior atitude que uma
pessoa pode tomar. A frieza é o beijo da morte para a criatividade, para os
relacionamentos, para a própria vida. Algumas mulheres agem como se conseguir ser
fria fosse um grande feito. Não é. É um ato de ira defensiva.
Na psicologia arquetípica, estar frio representa  não ter sentimentos. Há
histórias da criança congelada, da criança que não conseguia sentir, dos corpos
presos no gelo, durante um período em que nada podia se mexer, nada podia se
transformar, nada podia nascer. Um ser humano congelado significa que ele está
propositalmente sem sentimentos, em especial para consigo mesmo, mas também e
às vezes ainda mais para com os outros. Embora esse seja um mecanismo de
autoproteção, ele prejudica a psique-alma, porque a alma não reage ao gelo, mas ao
calor. Uma atitude  gélida apagará o fogo criativo da mulher. Ela inibirá a função
criativa.
É esse um problema grave, mas a história nos dá uma idéia. O gelo precisa ser
quebrado, e a alma, retirada do congelamento.
Quando os escritores, por exemplo, se sentem secos, áridos, sem vida, eles
sabem que o jeito para voltar à fertilidade reside em escrever. No entanto, se eles
estiverem presos no gelo, não conseguirão escrever. Há pintores que estão ansiosos
por pintar, mas dizem a si mesmos, "larga disso. Seus quadros são estranhos e feios".
Existem muitos artistas que ainda não firmaram sua posição e outros que são
veteranos de guerra no desenvolvimento da sua vida criativa, e mesmo assim cada vez
que eles pegam da pena, do pincel, das fitas, do roteiro, eles ouvem, "você só causa
problemas. Seu trabalho é marginal ou totalmente inaceitável porque você mesmo é
marginal e inaceitável."
Portanto, qual é a solução? Aja como o patinho. Siga em frente, supere tudo
com a luta. Apanhe logo a caneta, comece a escrever e pare de resmungar. Escreva.
Pegue o pincel e, para variar, seja má consigo mesma: pinte. Bailarina, vista sua
malha, amarre fitas no cabelo, na cintura ou nos tornozelos e diga ao corpo que se
mexa. Dance. Atriz, dramaturga, poeta, musicista ou qualquer outra. Em geral, pare
de falar. Não pronuncie mais uma palavra sequer, a não ser que você seja cantora.
Tranque-se num quarto com teto ou numa clareira sob os céus. Exerça sua arte. Sabese que o que está em movimento não se congela. Por isso, mexa-se. Vá em frente.

O estranho que passava
Embora na história o lavrador que leva o pato para casa pareça ser um recurso
literário para promover a história, em vez de um  leitmotiv arquetípico sobre o exílio,
creio ser valiosa uma reflexão sobre esse ponto. A pessoa que talvez pudesse nos tirar
do gelo, que talvez até mesmo nos libertasse em termos psíquicos da nossa
insensibilidade, não vai necessariamente ser aquela a cujo grupo pertencemos. Pode
ocorrer, como na história, mais um daqueles acontecimentos mágicos porém
efêmeros que surgem quando menos esperamos, um ato de gentileza de um estranho
que passava.
É mais um exemplo de alimentação da psique que ocorre quando estamos
numa situação-limite que não podemos mais suportar. É nessa hora que algum
sustento aparece do nada para  nos ajudar e depois desaparece noite adentro,
deixando-nos perplexas. Teria sido uma pessoa ou um espírito. Talvez tenha sido um
repentino acesso de sorte que traz à nossa porte algo muito necessário. Poderia ser
algo tão simples quanto uma trégua, um alívio na pressão, um curto período de
repouso.
Não estamos falando agora de contos de fadas, mas, sim, da vida real.
Qualquer que seja, é um tempo em que o espírito, de um modo ou de outro, nos
sustenta, nos puxa do fundo, nos mostra a passagem secreta, o esconderijo, o meio de
escapar. E essa chegada quando estamos por baixo e nos sentimos numa tempestade
sombria ou numa calmaria sinistra é o que nos empurra pelo canal que leva ao
próximo passo, à próxima fase no aprendizado de ganhar força no isolamento.

O isolamento como dádiva
Se você tentou se adaptar a qualquer tipo de forma e não conseguiu, talvez
você tenha muita sorte. É verdade que você pode ser um exilado de alguma espécie,
mas sua alma está abrigada. Ocorre um estranho fenômeno quando a pessoa tenta se
adequar e não consegue. Muito embora a criatura diferente seja rejeitada, ela ao
mesmo tempo é empurrada para os braços dos seus verdadeiros companheiros
psíquicos, quer se trate de um linha de estudo, de uma forma de arte, quer de um
grupo de pessoas. É pior ficar ali onde não nos sentimos bem do que vaguear perdida
por um período em busca da afinidade psíquica e profunda de que precisamos. Nunca
é errado ir à procura do que necessitamos. Nunca mesmo.
Há algo de útil em toda essa torção e tensão. Algo no patinho está sendo
temperado, está sendo reforçado por esse isolamento. Embora essa situação não seja
algo que se deseje a ninguém por nenhum motivo, seu efeito é semelhante ao da
produção de diamantes pela pressão aplicada ao carbono puro — ela acaba  levando a
uma profunda amplidão e clareza na psique.
Existe um aspecto da alquimia no qual a substância bruta do chumbo é
golpeada e martelada. Embora o isolamento não seja algo que se deseje por ser
divertido, provém dele um ganho inesperado. As dádivas  do isolamento são
inúmeras. Ele elimina a fraqueza com os golpes. Ele erradica as lamentações,
proporciona um insight penetrante, aguça a intuição, assegura o poder incisivo de
observação e de visão de perspectiva jamais alcançados pelas pessoas "aceitas".
Apesar de ter seus aspectos negativos, a psique selvagem consegue resistir ao
isolamento. Ele faz com que tenhamos um anseio ainda maior no sentido de liberar
nossa própria natureza verdadeira, e provoca em nós um desejo intenso por uma
cultura que combine com essa natureza. Só esse anseio, esse desejo já faz a pessoa
prosseguir. Ele faz com que a mulher continue a procurar. E, se não consegue encontrar a cultura que a estimule, geralmente ela resolve criar, ela mesma, essa
cultura. Isso é bom, pois, se ela a criar, outras que vinham procurando há muito
tempo chegarão misteriosamente um dia, proclamando com entusiasmo o fato de
estarem procurando por ela o tempo todo.

Os gatos desgrenhados e as galinhas vesgas do mundo
O gato desgrenhado e a galinha vesga  consideram as aspirações do patinho
estúpidas e sem sentido. Isso dá exatamente a perspectiva correta quanto à
suscetibilidade e aos valores daqueles que criticam quem não é igual a eles. Quem
esperaria que um gato gostasse da água? Quem iria pensar numa galinha nadando? É
claro que ninguém. No entanto, com enorme freqüência, do ponto de vista do
proscrito, quando as pessoas não são parecidas, é o proscrito que é inferior, não o
outro.
Bem, com a atitude de não querer tornar ninguém inferior a outra pessoa, ou
não mais do que for preciso, digamos que nesse ponto o patinho passa pela mesma
experiência pela qual passaram milhares de mulheres " exiladas"  — aquela de uma
incompatibilidade básica com pessoas diferentes, que não é culpa de ninguém, apesar
de que a maioria das mulheres, num excesso de amabilidade, assumam o fato como
se fosse sua culpa exclusiva.
Quando isso acontece, vemos mulheres que estão sempre dispostas a pedir
desculpas pelo espaço que ocupam. Vemos mulheres com medo de dizer
simplesmente, "Não, obrigada", e ir embora. Vemos mulheres dando ouvidos a
alguém que lhes repete insistentemente que elas são teimosas, sem compreender que
os gatos não nadam e que as galinhas não mergulham.
Devo admitir que às vezes considero útil no meu trabalho clínico delinear as
diversas tipologias da personalidade como gatos, galinhas, patos, cisnes e assim por
diante. Se a situação permitisse, eu poderia pedir a uma cliente que imaginasse por
um instante ser um cisne que não sabe quem é. Imagine-se, também, por um instante
que ela tenha sido criada ou esteja atualmente cercada por patos.
Não há nada de errado com os patos, afianço às minhas clientes, ou sequer
com os cisnes. Mas patos são patos, e cisnes são cisnes. Às vezes, para transmitir bem
a mensagem, passo para outras imagens do reino animal. Gosto de usar
camundongos. E se você fosse criada pelo povo camundongo? E s você fosse,
digamos, um cisne? Os cisnes em geral detestam os alimentos que os camundongos
comem e vice-versa. Cada um deles acha que o outro tem um cheiro esquisito. Eles
não têm interesse em passar tempo juntos, e, se o fizessem, estariam constantemente
perseguindo uns aos outros.
E o que dizer se você, sendo um cisne, teve de fingir ser um camundongo? E se
você teve de fingir ser cinzento, peludo e diminuto? E se lhe faltava um rabo longo e
sinuoso para ficar em exibição no dia de andar com o rabo para cima?E se, onde quer
que você fosse, você tentasse andar comei um camundongo, mas acabasse gingando?
E se você tentasse falar como um camundongo, mas a cada vez que tentasse saísse um
grasnido? Você não se sentiria a criatura mais infeliz do mundo?
A resposta é um inequívoco sim. Então, por que, se tudo isso é tão verdadeiro,
por que as mulheres não param de tentar se curvar e se dobrar para assumir formas
que não são suas? Devo dizer, com base em anos de observação clínica do problema,
que na maioria das vezes isso não decorre de um masoquismo enraizado ou de uma
dedicação perversa à autodestruição ou qualquer atitude dessa natureza. Com
enorme freqüência, isso ocorre porque a mulher não sabe o que fazer. Ela foi criada
sem mãe.
Há um ditado que diz  tu puedes saber muchas cosas, é possível saber acerca
das coisas, mas não se trata do mesmo que sentido, que deter o sentido. Já o patinho
parece saber "das coisas", mas ele não tem nenhum bom senso. Ele é sem mãe ou
seja, não foi instruído nos níveis mais elementares. Lembrem-se, é a mãe que ensina
ao expandir o talento ou instinto inato à prole. As mães do reino animal que  ensinam
seus filhotes a caçar não estão exatamente os ensinando "a caçar" pois isso já está nas
suas entranhas. Elas os ensinam a se precaver disso e daquilo, a prestar atenção às
coisas. Elas ensinam tudo que os filhotes desconheciam até que ela mostrasse,
ativando, assim, novos conhecimentos e sabedoria inata.
O mesmo ocorre com a mulher exilada. Se ela for um patinho feio, se ela não
tiver mãe, seus instintos não estarão aguçados. Em vez disso, ela aprende pelo
método de ensaio e erro. Geralmente muitas tentativas; erros inúmeros. Existe
esperança, porém, pois a criatura rejeitada nunca desiste. Ela persiste até encontrar
seu guia, até farejar a pista, o rastro, até encontrar seu chão.
Os lobos nunca são mais engraçados do que quando perderam a pista e fazem
tudo para recuperá-la. Eles saltam no ar, correm em círculos, escavam o chão com o
focinho, arranham o chão, correm adiante, voltam e ficam parados como estátuas: A
impressão é a de que enlouqueceram. Mas o que eles estão realmente fazendo é
recolhendo todos os indícios que podem encontrar. Estão captando esses indícios
com mordidas no ar. Estão enchendo os pulmões com os cheiros do nível do chão e
do nível das espáduas. Eles provam o ar para ver quem passou por ali recentemente,
com as orelhas girando  como antenas parabólicas, captando transmissões de muito
longe. Uma vez que eles tenham todos esses indícios em ordem, eles sabem como
prosseguir.
Embora a mulher possa parecer desmiolada, quando perdeu o contato com a
vida que mais valoriza, e esteja correndo de um lado para o outro tentando
reconquistá-la, na maioria das vezes ela está recolhendo informações, provando um
pouco disso aqui, agarrando com uma patada um pouco daquilo lá. O máximo que se
pode fazer seria explicar sucintamente o que ela está fazendo e deixá-la em paz.
Assim que ela processar todas as informações das pistas recolhidas, ela voltará a se
movimentar de modo deliberado. E então o desejo de pertencer ao clube do gato
desgrenhado e da galinha vesga acabará desaparecendo totalmente.

A lembrança e a persistência não importa o que aconteça
Todas nós temos um anseio que sentimos pela nossa própria turma, nossa
turma selvagem. Vocês devem se lembrar de que o patinho fugiu depois de ser
impiedosamente torturado. Em seguida, teve uma altercação com um bando de
gansos e quase foi morto pelos caçadores. Foi expulso de um quintal e da casa de um
lavrador e, finalmente, exausto, caiu tremendo às margens do lago. Não há mulher
que não conheça essa sensação. E no entanto, é exatamente esse anseio que nos leva a
insistir, a continuar, a prosseguir com esperança.
É essa a promessa da psique selvagem para todos nós. Mesmo que tenhamos
apenas ouvido falar de um maravilhoso mundo selvagem ao qual um dia
pertencemos, apenas vislumbrado esse mundo ou sonhado com ele, mesmo que até
agora nós ainda não o tenhamos tocado ou apenas o tenhamos tocado
momentaneamente, mesmo que nós não nos identifiquemos como parte dele, a
recordação desse mundo é um farol que nos guia para o lugar ao qual pertencemos,
pelo resto de nossas vidas. No patinho feio, um sábio anseio surge quando ele vê os
cisnes alçando vôo pêlos céus, e a partir desse único acontecimento sua lembrança
daquela visão lhe dá sustento. 

dio. Uma aranha que tecia uma teia na sua varanda chamou sua atenção. Não
saberemos nunca exatamente o que na atividade do pequeno inseto foi capaz de
quebrar o gelo que circundava sua alma para que ela pudesse se libertar e voltar a
crescer.  No entanto, estou convencida, tanto como psicanalista quanto como
cantadora, que muitas vezes são as coisas da natureza que têm maior capacidade de
cura, especialmente aquelas muito simples. Os remédios da natureza são poderosos e
diretos: uma joaninha na  casca verde de um melão, um tordo com um pedaço de
barbante, uma planta do mato em flor, uma estrela cadente, até mesmo um arco-íris
num caco de vidro na rua, qualquer um deles pode ser o remédio adequado. A
persistência é estranha: ela exige uma energia tremenda e pode se abastecer por um
mês com cinco minutos de contemplação de águas calmas.
É interessante salientar que, entre os lobos, não importa o quanto esteja
doente, não importa o quanto esteja acuada, o quanto esteja só ou enfraquecida, a
loba persiste. Ela corre mesmo com a perna quebrada. Ela se aproxima dos outros à
pró- a cura da proteção da matilha. Ela se esforça ao máximo para superar na espera,
na astúcia, na velocidade ou na duração da vida aquilo que a esteja atormentando.
Ela dedicará todas as suas forças a respirar bem. Ela se arrastará, se necessário, igual 
ao patinho, de um lugar para o outro até encontrar o lugar certo, um lugar benéfico,
em que possa se recuperar.
A principal característica da natureza selvagem é a persistência. A
perseverança. Isso não é algo que se faça. É algo que se é, em termos naturais e
inatos. Quando não temos condição de vicejar, seguimos adiante até podermos voltar
a vicejar. Seja o nosso isolamento originado de um afastamento da nossa vida
criativa, seja uma cultura ou uma religião que nos rejeitou, seja um exílio da família,
um banimento de um grupo, seja a imposição de sanções a nossos movimentos,
pensamentos e sentimentos, a vida selvagem profunda continua, e nós persistimos. A
natureza selvagem não é natural de nenhum grupo étnico específico. Ela é a natureza
essencial das mulheres do Daomé, dos Camarões e da Nova Guiné. Ela está nas
mulheres da Letônia, dos Países Baixos, de Serra Leoa. Ela está no cerne das
mulheres da Guatemala, do Haiti, da Polinésia.  Digam o nome de um país. De uma
raça. De uma religião. De uma tribo. Digam o nome de uma cidade, de uma aldeia, de
um solitário posto fronteiriço. Todas as mulheres têm isso em comum: a Mulher
Selvagem, a alma selvagem. Todas elas continuam a tatear em busca do selvagem e a
segui-lo.
Por isso, se precisarem, as mulheres pintarão céus azuis nas paredes da prisão.
Se a meada se queimou, elas fiarão mais. Se a colheita estiver destruída, elas farão
outra semeadura imediatamente. As mulheres desenharão portas onde não houver
nenhuma. E elas as abrirão e passarão por essas portas para novos caminhos e novas
vidas. Como a natureza selvagem persiste e triunfa, as mulheres persistem e
triunfam.
O patinho é levado a arriscar a vida por um fio. Ele já se sentiu só, frio,
congelado, acuado, perseguido. Já atiraram nele, já desistiram dele. Ele já se sentiu
desnutrido, longe, fora de todos os limites, no limiar entre a vida e a morte, e sem
saber o que iria acontecer depois. Nessa hora vem a parte mais importante da
história: chega a primavera, começa a vida nova, uma reviravolta, uma nova
oportunidade de tentar. O mais importante é esperar, agüentar esperando pela nossa
vida criativa, pela nossa solidão, pelo nosso tempo de ser e de fazer, Pela nossa
própria vida. Esperemos, pois a promessa da natureza selvagem é a seguinte: Depois do inverno sempre vem a primavera.

O amor pela alma
Aguarde. Confie. Faça sua parte. Você descobrirá seu próprio caminho. No
final da história, os cisnes reconhecem o patinho como um dos seus antes dele
mesmo. Isso é bem típico das mulheres exiladas. Depois de tanto sofrer e vaguear,
elas conseguem atravessar por acaso a fronteira com seu próprio território e muitas
vezes não percebem por um certo tempo que as expressões das pessoas deixaram de
ser depreciativas e passaram a ser neutras com maior freqüência, quando não sejam
de admiração e de aprovação.                         
Seria de se pensar que, já que estão agora no seu próprio chão psíquico, elas
estariam delirantemente felizes. Mas, não. Pelo menos por algum tempo, sentem uma
terrível desconfiança. Será que essas pessoas realmente me consideram? Será que
aqui eu estou em segurança? Será que não vão me espantar daqui? Será que agora
vou poder dormir com os dois olhos fechados? Será que está certo agir como... um
cisne? Com o tempo, essas suspeitas são abandonadas, e começa o próximo estágio
da volta ao próprio eu: a aceitação da nossa própria, beleza singular, ou seja, da alma
selvagem da qual somos feitas.
É provável que não exista uma medida melhor e mais confiável para se saber
se uma mulher passou pelo  status de patinho feio em algum ponto da sua vida ou
durante toda ela do que sua incapacidade de aceitar um cumprimento sincero.
Embora essa atitude possa ser uma questão de modéstia  ou possa ser atribuída à
timidez  — apesar de muitíssimos ferimentos graves serem descartados
descuidadamente como "nada mais do que timidez"
14 — é muito mais comum que a
mulher evite o elogio, gaguejando, porque ele inicia um diálogo automático e
desagradável na mente da mulher.
Se você disser que ela é bonita, que sua arte é linda ou se a elogiar por alguma
coisa de que sua alma participou, que tenha sido inspirada por sua alma ou que esteja
dela impregnada, algo na sua cabeça lhe diz que ela não merece o  elogio e que você,
que a está elogiando, é idiota por ter uma opinião dessas a seu respeito. Em vez de
entender que a beleza da sua alma aparece refulgente quando ela é ela mesma, a
mulher muda de assunto e consegue assim roubar o sustento do self-alma, que se
nutre de ser reconhecido.
Portanto, essa é a função final da mulher exilada que encontra seu próprio
grupo: não só a de aceitar a própria individualidade, a própria identidade específica
como um determinado tipo de pessoa, mas também a de aceitar a própria beleza... a
forma da nossa própria alma e o fato de que viver junto dessa criatura selvagem
transforma a nós e a tudo que ela toca.
Quando aceitamos nossa própria beleza selvagem, ela fica em perspectiva, e
nós deixamos de ser incomodadas pela sua percepção, mas também não
renunciaríamos a ela nem negaríamos sua existência. Uma loba sabe a beleza que tem
ao saltar? Uma fêmea de felino sabe as belas formas que cria ao se sentar? Uma ave
se espanta com o som que ouve ao abrir as asas? Aprendendo com elas, simplesmente
agimos à nossa própria maneira e não evitamos nossa beleza natural nem nos
escondemos dela. Como os animais, simplesmente somos, e isso é bom.
Para as mulheres, essa procura e essa descoberta se baseiam na misteriosa
paixão que as mulheres têm pelo selvagem, pelo que lhes é inato. Estivemos
chamando o objeto desse anseio de Mulher Selvagem... mas, mesmo quando as
mulheres não a conhecem pelo nome, mesmo quando não sabem onde ela reside, elas
se esforçam para alcançá-la: elas a amam do fundo  do coração. Elas anseiam por ela,
e esse anseio é tanto motivação quanto locomoção. É esse desejo intenso que nos faz
procurar a Mulher Selvagem e encontrá-la. Não é tão difícil quanto se poderia

imaginar a princípio, pois a Mulher Selvagem também está procurando por nós. Nós
somos seus filhotes.

O zigoto errado
Com os anos da minha experiência clínica, ficou claro que essa queestão do
sentir-se integrado às vezes precisa ser considerada de uma perspectiva mais leve,
pois a leveza pode ajudar a eliminar parte da dor de uma mulher. Comecei, então, a
contar às minhas clientes essa história inventada chamada "O zigoto errado", com o
principal objetivo de ajudá-las a examinar sua qualidade de "diferente" com uma
imagem mais revitalizante. A história é como se segue.
Alguma vez você já se perguntou como conseguiu aparecer numa família tão
estranha quanto a sua? Se você passou a vida se sentindo estrangeiro, como uma
pessoa ligeiramente estranha ou diferente, se você é um ser solitário, que vive às
margens da corrente dominante, você sem dúvida sofreu. No entanto, chega também
a hora de remar para longe disso tudo, de experimentar um panorama diferente, de
migrar de volta à terra da sua própria gente.
Que não haja mais sofrimento, que não haja mais tentativas de descobrir em
que você errou. O mistério da razão pela qual você nasceu na família em que tenha
nascido acabou, finis, está encerrado. Descanse por um instante na proa,
refrescando-se no vento que vem da sua verdadeira terra natal.
Durante anos a fio, as mulheres que carregam em si a vida mística do
arquétipo da Mulher Selvagem queixaram-se em silêncio: "Por que sou tão diferente?
Por que nasci numa família tão estranha [ou insensível]?" Onde quer que suas vidas
pretendessem se expandir, havia sempre alguém a espalhar sal na terra para que
nada ali crescesse. Elas se sentiam torturadas por todas as proibições relativas aos
seus desejos naturais. Se eram filhas da natureza, eram mantidas entre quatro
paredes. Se eram cientistas, diziam-lhes que deviam ser mães. Se queriam ser mães,
diziam-lhes que, então, era melhor que se adaptassem perfeitamente ao papel. Se
queriam inventar algo, diziam-lhes que fossem práticas. Se tinham vontade de criar,
diziam-lhes que o serviço doméstico nunca termina.
Às vezes, elas tentavam se adequar a qualquer padrão que estivesse na moda,
sem perceber até bem mais tarde o que realmente queriam, como precisavam viver. E
então, a fim de ter uma vida própria, elas passavam pelas dolorosas amputações de
abandonar suas famílias, os casamentos que pelo juramento deveriam ser até a
morte, os empregos que deveriam ser trampolins para algo mais neutralizante
embora mais bem remunerado. Deixaram sonhos espalhados pela estrada inteira.
Com freqüência, as mulheres eram artistas que estavam tentando ser sensatas
ao dedicar oitenta por cento do seu tempo a algum trabalho que abortasse
diariamente suas vidas criativas. Embora as situações sejam inúmeras, um aspecto
permanece constante: desde muito cedo elas eram identificadas como "diferentes"
com uma  conotação negativa. Na realidade, eram pessoas apaixonadas, especiais,
curiosas e em pleno uso de suas mentes instintivas.
Portanto, é claro que a resposta a "por que comigo, por que essa família, por
que sou tão diferente", é que não há resposta para esse  tipo de pergunta. Mesmo
assim, o ego precisa ruminar alguma coisa antes de se soltar, e proponho três
respostas de qualquer maneira. (A analisanda pode escolher a que preferir, mas tem
de escolher pelo menos uma. A maioria opta pela última, mas qualquer uma serve.)
Prepare-se. Ei-las.
Nascemos do jeito que nascemos e nas estranhas famílias a que pertencemos l)
porque sim (quase ninguém acredita nessa), 2) o Self tem um planejamento, e nossos cérebros de ervilha são ínfimos demais para desvendá-lo (muitas consideram essa
idéia atraente) ou 3) por causa da síndrome do zigoto errado (bem... é, pode ser...
mas o que é isso afinal?).
Sua família a considera uma alienígena. Você tem penas, eles têm escamas.
Sua idéia de diversão é a floresta, os ermos, a vida interior, a majestade da natureza.
A idéia deles de diversão é dobrar toalhas direitinho. Se isso acontece com você na
sua família, você está sendo vítima da síndrome do zigoto errado.
Sua família passa lentamente pelo tempo; você passa como o vento. Eles são
barulhentos, você é delicada; ou eles são calados e você canta alto. Você sabe porque
sabe. Eles querem prova e uma dissertação de trezentas páginas. Sem a menor
dúvida, trata-se da síndrome do zigoto errado.
Nunca ouviu falar nisso? Bem, foi assim, a fada dos zigotos estava sobrevoando
sua cidade natal numa noite, e todos os zigotinhos na sua cesta pulavam e saltavam
de alegria.
Na verdade, você estava destinada a pais que a teriam compreendido, mas a
fada dos zigotos entrou numa zona de turbulência e, epa, você caiu da cesta na casa
errada. Você caiu de cabeça para baixo bem numa família que não lhe estava
destinada. Sua "verdadeira" família ficava uns cinco quilômetros mais adiante.
É por isso que você se apaixonou por uma família que não era a sua, e que
morava a uns cinco quilômetros dali. Você sempre quis que o sr. e sra. Fulano-de-Tal
fossem seus pais de verdade. É possível que eles fossem mesmo.
É por isso que você sapateia pelos corredores apesar de ter uma família que
vive grudada na televisão. É por isso que seus pais ficam alarmados cada vez que você
vem visitá-los ou telefona. Eles estão preocupados "com o que ela vai aprontar agora?
Da última vez, ela nos deixou envergonhados, só Deus sabe o que vai fazer desta vez.
Ai!" Eles cobrem os olhos quando você se aproxima, e não é por se ofuscarem com
sua luz.
Tudo o que você quer é amor. Tudo o que eles querem é paz.                                               
Os membros da sua família, por seus próprios motivos ; (em virtude das suas
preferências, da sua inocência, de danos sofridos, da sua constituição, da sua doença
mental ou ignorância cultivada), não são tão hábeis para serem espontâneos com o
inconsciente, e é claro que sua visita invoca o arquétipo do trickster, o que agita as
coisas. E assim, antes mesmo que vocês se sentem à mesa, ela já está dançando por
ali louca para deixar cair um fio de cabelo no ensopado da família.
Apesar de não ser sua intenção irritar a família, eles ficarão irritados do
mesmo jeito. Quando você aparece, tudo e todos parecem enlouquecer.
É um sinal inequívoco dos zigotos errados na família o fato de os pais se
sentirem ofendidos o tempo todo enquanto os filhos têm a impressão de que nunca
vão conseguir fazer nada certo.
A família não-selvagem tem apenas um desejo, mas o zigoto errado jamais
consegue vislumbrar qual seja ele e, se o conseguisse, seu cabelo se arrepiaria
formando pontos de exclamação.
Prepare-se, vou lhe contar o grande segredo. Eis a coisa misteriosa e tremenda
que eles realmente querem de você.
Os não-selvagens querem coerência.
Querem que você seja hoje exatamente a mesma que foi ontem. Querem que
você não mude com o passar dos dias, mas que permaneça como no início dos
tempos.
Pergunte à família se eles querem coerência, e eles darão uma resposta
afirmativa. Em tudo? Não, eles dirão, somente naquilo que importa. Quaisquer que
sejam as coisas que importam no sistema de valores deles, elas sempre serão inaceitáveis para a natureza selvagem das mulheres. Infelizmente, "aquilo que
importa" para eles não combina com "aquilo que importa" para a criança selvagem.
A coerência nas atitudes é uma expressão impossível para a Mulher Selvagem,
pois sua força está na sua capacidade de adaptação à mudança, na sua inovação, na
dança, nos uivos, nos rosnados, na sua vida instintiva profunda, na sua chama
criadora. Ela não revela coerência pela uniformidade mas, sim, pela vida criativa,
pela percepção, pela rápida captação de imagens, pela flexibilidade e destreza
coerentes.
Se tivéssemos de identificar um aspecto que faz da Mulher Selvagem o que ela
é, seria sua capacidade de resposta. A palavra resposta vem do termo latino
"prometer, garantir"  — e esse é o seu forte. Suas respostas cheias de percepção e
habilidade são uma promessa e garantia coerentes para com as forças criadoras,
sejam elas duendes, o diabrete que se esconde por trás da paixão, sejam elas a beleza,
a arte, a dança ou a vida. A promessa que ela nos faz, se não a contrariarmos, é que
ela nos fará viver. Ela nos fará viver plenamente, com sensibilidade e coerência.
Dessa forma, o zigoto errado dá sua fidelidade, não à família, mas ao seu Self
interior. É por isso que ela se sente dividida. Sua mãe loba está segurando seu rabo;
sua família concreta prendeu seus braços. Não demora muito, e ela está gritando de
dor, rosnando e mordendo a si mesma e aos outros, para afinal ficar numa calma
mortal. Quando se olha nos seus olhos, vêem-se ojos del cielo, olhos vazios, os de uma
pessoa que não está mais ali.
Embora a socialização para as crianças seja importante, matar a criatura
interior é matar a criança. Os habitantes da África Ocidental consideram que ser duro
com uma criança faz com que a alma se afaste do corpo, às vezes só alguns metros,
outras vezes a distância de alguns dias de caminhada.
Apesar de as necessidades da alma da criança deverem ser equilibradas com
sua necessidade de segurança e cuidados físicos, bem como com noções
cuidadosamente examinadas do "comportamento civilizado", sempre me preocupo
com aquelas que são bem-comportadas demais. Elas muitas  vezes têm aquela
expressão de "alma fraca" nos olhos. Alguma coisa não está certa. Uma alma saudável
aparece brilhante por trás da persona a maior parte dos dias, e nos outros arde como
chama. Quando o dano é sério, a alma foge.
Às vezes, ela sai vagueando ou correndo assustada e vai tão longe que são
necessários agrados magistrais para fazer com que volte. Muito tempo deverá se
passar antes que uma alma dessas sinta confiança suficiente para voltar, mas a tarefa
não é impossível. Um resgate desses exige alguns ingredientes: uma honestidade
aberta, energia, ternura, carinho, um exame da raiva e humor. Combinados, esses
elementos compõem uma canção que chama a alma de volta para casa.
Quais são as necessidades da alma? Elas residem nos dois reinos da natureza e
da criatividade. Nesses reinos, vive Na'ash-jé'ii Asdzáá, a Mulher-aranha, a deusa da
criação do povo  navajo que dá proteção psíquica a quem a procura. Ela se encarrega
de ensinar à alma tanto a proteção quanto o amor à beleza.
As necessidades da alma são encontradas no abrigo das três velhas (ou jovens,
dependendo do dia) irmãs  — Cloto, Láquesis e Atropos — que tecem o fio vermelho,
ou seja, a paixão, da vida da mulher. Elas tecem as idades da vida da mulher, dando
nós à medida que uma idade se completa  e a próxima se inicia. Elas se encontram nos
bosques dos espíritos das caçadoras, Diana e Ártemis, duas mulheres-lobas que
representam a capacidade de caçar, farejar e resgatar aspectos da psique.
As necessidades da alma são governadas por Coatlique, a deusa asteca da autosuficiência feminina, que dá à luz de cócoras, direto nos pés. Ela dá lições sobre a vida
da mulher solitária. Ela é uma fazedora de bebês, o que significa novos potenciais de vida, mas é também uma mãe da morte que usa caveiras na saia. Quando ela anda,
elas dão a impressão do chocalho de uma cascavel, pois são chocalhos de caveiras. E,
como os chocalhos de caveiras têm o som da chuva, por meios da ressonância
simpática, eles atraem a chuva para a terra. Ela é a protetora de todas as mulheres
solitárias e daquelas que são tão mágia, tão cheias de idéias e pensamentos
poderosos, que precisam viver no limiar do fim do mundo para não deslumbrar
demais a comunidade. Coatlique é a protetora especial da mulher exilada.                                
Qual é o alimento básico para a alma? Bem, ele difere dei uma criatura para
outra. Seguem-se, porém, algumas combinações. Considerem-nas uma macrobiótica
psíquica. Para algumas mulheres, o ar, a noite, o sol e as árvores são necessidades
vitais. Para outras, somente as palavras, o papel e os livros conseguem saciá-las. Para
ainda outras, a cor, a forma, a sombra e o barro são requisitos absolutos. Algumas
mulheres precisam saltar, inclinar-se, correr, pois suas almas amam a dança. Ainda
outras só querem a paz de se recostar numa árvore.
Há mais uma questão a tratar. Os zigotos errados aprendem a sobreviver. É
difícil passar anos a fio na companhia de quem não pode nos ajudar a florescer. Ser
capaz de dizer que sobrevivemos é um feito. Para muitas, o poder está na própria
palavra. No entanto, chega uma hora no processo de formação da identidade em que
a ameaça, ou o trauma, já faz parte do passado. É então que se passa ao próximo
estágio da sobrevivência, à cura e ao desenvolvimento futuro.
Se permanecermos no estágio de sobreviventes sem avançar para o
desenvolvimento, estaremos nos limitando, reduzindo nossa energia para nós
mesmas e nosso poder no mundo a menos da metade. Uma mulher pode sentir tanto
orgulho de ter sobrevivido que esse sentimento prejudique seu desenvolvimento
criativo futuro. Às vezes, as pessoas têm medo de prosseguir além do status de
sobrevivente, pois é exatamente isso o que ele é — um status, um marco de distinção,
uma realização "pura e simples, pode apostar, pode acreditar".
Em vez de tornar a sobrevivência a peça principal da nossa vida, é melhor usá-
la como uma entre muitas insígnias, mas não como a única. Os seres humanos
merecem andar cobertos de belas recordações, medalhas e condecorações por terem
vivido, vivido mesmo e saído vitoriosos. Uma vez passada a ameaça, existe uma
armadilha potencial se nos chamarmos por nomes adquiridos durante os tempos
mais terríveis das nossas vidas. Essa atitude cria uma disposição mental que pode ser
limitadora. Não é bom basear a identidade da alma exclusivamente nos feitos, nas
derrotas e nas vitórias dos tempos difíceis. Embora a sobrevivência possa deixar a
mulher dura como carne de pescoço, em algum ponto ela começa a inibir o
desenvolvimento futuro.
Quando a mulher insiste em repetir que é uma "sobrevivente", quando já se
passou o tempo em que isso seria útil, o trabalho adiante de nós é óbvio. Devemos
fazer com que a pessoa solte das mãos o arquétipo do sobrevivente. Se não o
fizermos, nada mais poderá crescer. Faço a comparação dessa  atitude com uma
pequena planta resistente que conseguiu  — sem água, sem sol, sem nutrientes  —
produzir uma corajosa e ínfima folhinha. Apesar das circunstâncias.
No entanto, vicejar significa que, agora que passou o tema pó das vacas
magras, vamos nos colocar em situações de exuberância, de luz e de nutrição para ali
prosperar, vicejar com flores e folhas densas, pesadas, emaranhadas. É melhor que
nos demos nomes que nos desafiem a crescer como criaturas livres. Isso é vicejar. É
isso o que nos foi destinado.
O ritual é um dos meios pelos quais os seres humanos colocam suas vidas em
perspectiva, quer se trate do Purim, do Advento, quer se trate de puxar a lua para
baixo. Os rituais reúnem as sombras e espectros das vidas das pessoas, como que os organizam e  os fazem repousar. Há uma imagem especial das comemorações de  El
Dia de los Muertos que se aplicam a ajudar as mulheres na transição da
sobrevivência para o desenvolvimento futuro. Baseia-se no rito das ofrendas, que são
altares para aqueles que passam desta vida.  Ofrendas são tributos, memoriais e
expressões da mais profunda consideração pelos entes amados não mais presentes
neste plano. Descobri ser útil para muitas mulheres o ato de fazer uma  ofrenda à
criança que elas um dia foram, à guisa de reconhecimento do heroísmo da criança.
Algumas mulheres escolhem objetos, escritos, roupas, brinquedos, recordações
de acontecimentos e outros símbolos da infância que serão incluídos. Elas arrumam a
ofrenda ao seu próprio modo, contam a história que acompanha ou não e depois
deixam aquilo arrumado enquanto quiserem. É a comprovação de seu passado de
dificuldades, de garra e de triunfo sobre a adversidade.
15
Essa maneira de olhar o passado surte alguns efeitos: ela proporciona
perspectiva, uma interpretação compassiva dos tempos passados, ao exibir aquilo que
a pessoa vivenciou, o que foi feito daquilo, o que é admirável. É o fato de admirar o
feito, em vez de vivê-lo, que libera a pessoa.
Continuar a ser a criança sobrevivente depois da hora para tal representa um
excesso de identificação com um arquétipo danificado. Perceber o dano, e mesmo
assim registrá-lo na memória, permite que se passe ao desenvolvimento futuro.
Vicejar é o nosso destino na terra. Vicejar, não apenas sobreviver, é o nosso direito
inato na qualidade de mulheres.
Não se encolha nem recue se for chamada de ovelha negra, de indisciplinada,
de loba solitária. Quem tem a visão lenta diz que o rebelde é uma praga para a
sociedade. No entanto, ficou provado com o passar dos séculos que ser diferente
significa estar no limite, significa ser praticamente garantido que essa pessoa vá fazer
uma contribuição original, uma contribuição útil e espantosa à sua cultura.
16
Ao procurar conselhos, jamais dê ouvidos aos tímidos de coração. Seja gentil
com eles, cumule-os de bênçãos, tente incentivá-los, mas nunca siga seus conselhos.
Se você alguma vez foi chamada de desafiadora, incorrigível, saliente, esperta,
insubmissa, indisciplinada, rebelde, você está no caminho certo. A Mulher Selvagem
está por perto.
Se você nunca foi chamada de nada disso, ainda é tempo. Ponha em prática
sua Mulher Selvagem. Ándele! Insista

Essa é a minha história. E cheguei a me arrepiar em trechos desse texto. Não pude deixar de colocar no blog

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Enfoque e a Experiência

enfoque

A Flor tem percebido algo

é possível viver a mesma coisa

de maneiras diferentes

com um outro enfoque

e então mesmo sendo a mesma coisa

a experiência passa a ser diferente

 

A Flor experimentou ser estudante

e acreditar que ser estudante

era o máximo de sua capacidade

que ela não poderia ir além

que ela seria eternamente estudante

nunca seria uma profissional

A Flor não conseguia se ver

dessa maneira ela era

apenas uma estudante

 

O tempo passou e isso mudou

A Flor começou a ter algumas experiências

profissionais e viu que ela podia sim

ser mais que uma estudante

 

A Flor decidiu explorar mais possibilidades

e fazer outro curso. Mas dessa vez

A Flor sentia dentro dela que poderia ser

uma profissional. E Agora está

tendo novamente a experiência

de ser uma estudante. No entanto

o enfoque está totalmente diferente

Há perspectiva. A Flor consegue se

imaginar trabalhando. Coisa que

ela não fez na experiência anterior.

 

Então agora mudou o enfoque

o que mudou a experiência

ela não está sendo estudante

por não poder ser outra coisa

e sim para se tornar uma profissional

e essa diferença de crença. Muda toda

a experiência que a Flor está tendo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Resumo da Vida da Flor

flor_de_loto_x

8 de Novembro de 1983

nessa data começa a aventura da Flor

logo bebe adquiri coqueluche

nem deu tempo de tomar a vacina

e assim todos aprendem

a se procupar com a Flor

 

A Flor cresce e se desenvolve

há algo diferente com ela

A Flor sabe disso

Todos sabem disso

embora ninguém saiba

porque sentem isso

nem que raios de diferença é essa

 

E por isso mais uma vez

todos se preocupam

A Flor vai no colégio

onde mais uma vez veem ela como

a diferente de todos.

A Zoação começa

E Flor começa a ver a sua diferença

como uma maldição

 

Mais uma vez todos se precupam

A Flor melhora as notas e as

zoações pioram a Flor se isola/p>

todos se preocupam

 

A Flor foi para a Faculdade

A Flor se formou. Não conseguiu

emprego logo. Todos se preocuparam

 

A Flor encontrou um grande amigo

ele a introduziu no auto conhecimento

passou a se conhecer mais

ficou mais confiante

Aos poucos outras passaram a confiar nela

a preocupação dimunuiu.

 

Hoje a Flor está explorando

novas possibilidadesa. Não sabe

onde tudo isso dará

os outros ainda se preocupam

mas agora há mais confiança

E o resto da História

só a vida dirá!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

A Guerra

 

guerra

A vida prossegue

há uma guerra na cidade

em que a Flor mora

muito parecida com

a Guerra que há

em seu interior

 

A utilização dos aspectos

destrutivos são como drogas

a intencionalidade inconsciente

de usa-los são como os traficantes

 

A vontade de crescer são

a tropa de elite. Que agora

já está bem equipada

equipou-se com consciência

 

A guerra interior pode causar

agitação em alguns momentos

mas apesar disso a  Flor está tranquila

Confiante que as intencionalidade negativa

não vai vencer. Afinal a consciência

é a melhor arma que se pode ter

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Fuga da vida

fuga

 

A Flor percebeu

sua vida era uma grande

e constante auto defesa

 

A Flor se defendia

contra a rejeição

A Flor se defendia

contra a critica

contra a possibilidade

de ser rejeitada

 

A tamanha defesa

levou a Flor a fuga

A Fuga dos sentimentos

a fuga da experiência

a fuga da vida em si

 

A Flor percebeu que

tamanha defesa a

impedia de viver

então resolveu parar

de se defender e

viver mais. Não

mais fugir da vida

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Rejeição

menina-chorando

Rejeição

heins um sentimento

que acompanhou a Flor

a maior parte de sua vida

 

E então a Flor passou

a se perguntar

Porque me rejeitam?

Será que não sou digna

nem mesmo de amizades?

 

Mesmo na idade adulta

havia uma criança dentro dela

que se perguntava isso

 

A Flor não via que

tamanho medo da rejeição]

a cegava por completo

 

A Flor estava tão centrada em

seu sentimento que não via

que a rejeição poderia

ter mais a ver com a outra pessoa

do que com ela

 

Poderia ter mais a ver

com os medos do outro

do que com o dela

 

Na  pior das hiposes

uma junção dos dois

ao perceber isso

a Flor conseguiu ver sua vida

de modo mais real.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Nova Força

FORCA INTERIOR

Heis que uma nova força surge na vida da Flor

Uma força interior mais forte

A Flor não consegue mais ouvir

a tudo calada e se fazer de boazinha

todo o tempo.  A Flor não consegue mais

esconder por muito tempo

quando algo a incomoda

 

A Flor não consegue mais

se conformar tudo o que acontece

aceitar tudo apenas para manter

uma amizade. Afinal se não há

respeito recíproco tal amizade

não é real. As amizades que sobrevivem as

crises são reais. E elas existem na vida da Flor.

 

A Flor está com mais disposição de

ir atrás do que deseja e aceitar o resultado que

tiver de ser. Porque impor um resultado é algo

que também a enfraquece.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Era das Trevas

 

escuridao

 

A Flor vê que em sua vida 

houve a era das trevas

sustentada pelas próprias crenças

alimentadas pela Flor

Crenças como: Ser autentica

é uma desvantagem se quem

Quem utiliza o clichê seja você

mesma não conhece minha vida

pois ela é prova o contrario

 

Se aproximar das outras pessoas

não vale a pena. provavelmente

sairei machucada

 

Não posso dar atenção aos meus

sentimentos preciso nega-los

ou eles estragarão a minha vida

 

Essas crenças condenaram a Flor

a uma época de escuridão

em que havia recusa a sentir

em que havia recusa a compartilhar

em que havia recusa a viver

 

Mas quando o sol começou

a aparecer no horizonte

a escuridão começou a se dissipar

e a Flor a ver mais claramente

E hoje ela percebe que

essas crenças eram falsas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Deve Começar com Auto- Aceitação

auto aceitacao[1]

E a Flor seguia a sua vida

convencida de que não poderia

ser ela mesma nunca

 

Ser ela mesma, ser autêntica

parecia sinônimo de rejeição

E então para tentar encontrar

a aceitação de todos

 

A Flor criou uma imagem de

como ela deveria ser

a Flor deveria ser sempre

super. compreensiva

assim iriam gostar de ficar

ao lado dela ou assim a Flor achava

 

Mas tal compreensão, muitas vezes

era forçada e não convencia ninguém

e a Flor não conseguia a aceitação

que tanto queria

 

Mas um dia a Flor entendeu

sua aceitação deve começar  em casa

com ela mesma. Sua aceitação

deve começar com auto-aceitação

domingo, 31 de outubro de 2010

Deixando de ser Sanguessuga

borneo_3683

Após algumas descobertas sobre si mesma

A Flor se sentiu uma sanguessuga

Afinal ela percebeu algo

Ela percebeu o quanto sempre

sempre exigiu ser compreendida

e o quanto era indisposta a compreender

 

E então a Flor se sentiu como se fosse

totalmente incapaz de dar

capaz apenas de tirar de ser

enfim uma sanguessuga

 

Mas expandir a consciência

é algo que realmente transforma

e agora já há quem a considera compreensiva

em uma mudança não forçada

totalmente espontânea

 

E a Flor se alegra ao descobrir

que pode ser realmente compreensiva

que também pode dar

ou invés de apenas tirar

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Encarando a Sombra

Não tem mais jeito

A Flor agora tem de fazer o trabalho

reconhecer sua sombra é uma necessidade

a Flor sente como se não tivesse escolha

agora é reconhecer ou reconher

 

A Flor ignorou sua sombra durante muio tempo

e agora a sombra vem a tona com toda força

clamando por reconhecimento

 

A sombra aparece como uma criança

que se sente rejeitada e quer atenção

e enquanto não for reconhecida

continuará criando inconvenientes

na vida da Flor

 

Mas a sombra também tras um recado

é chegado o momento da integração

inclusive da sombra

por isso agora não tem jeito

é reconhecer ou reconhecer

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vozes Desestimulantes

[flor+murcha0001.jpg]

 

 

Desde de pequena
a flor ouvia dentro dela
vozes desestimulantes
Toda vez que não conseguia
algo essa voz lhe dizia:

Aí está a prova. Realmente
você é menos capaz que
as outras pessoas
mesmo tendo tudo
mesmo com todas as oportunidades
você não consegue
é muita inconpentência

E a Flor nada encontrava
para contradizer essa voz
a voz foi ganhando força
e a Flor acreditando nela

E quanto mais a Flor acreditava
mais a voz parecia ter razão
e foi assim que a crença em
sua incapacidade se formou
e se fortaleceu dia após dia

Até que um dia a Flor descobriu
que os instrumentos usados
em seu dia a dia não eram adequados

Era como se ela quisesse colher uva
plantando semente de banana
Não importa com quanto amor ela
plantasse a semente. O quanto
ela se dedicasse a plantação
o quanto estudasse melhores
formas de plantar
a Flor não iria colher as uvas
como desejava ao plantar as sementes
de banana com todo o carinho

Quando a Flor descobriu isso
e passou a utilizar os instrumentos adequados
os resultados apareceram e a voz desestimulante
começou aos poucos a perder sua força

E a Flor viu, não era questão de
capacidade ou incapacidade era
questão de saber quais eram os
instrumentos adequados para
se chegar aos seus objetivos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vídeo Problem Gril

Problem Gril

Dessa vez eu colocarei aqui a letra de uma musica do Rob THomas. Ele mesmo sem me conhecer fez o poema perfeito. O poema que trata melhor minha época de colégio. Vou colocar a letra em ingles e a tradução e no próximo post o vídeo.

Don't let 'em get where they're going to
Não deixe eles chegarem onde eles estão indo

You know they're only what they think of you
você sabe que eles são apenas o que pensam de você

You heard of this emotional trickery
você ouviu sobre esse artificio emocional

And you felt like you were learning the ropes
E você sentiu como se estivesse aprendendo as amarras

But where you're going now you don't now
mas você não sabe aonde está indo

And when the kids on the street say
E quando as crianças na sua rua dizem:

What's your problem, girl?
Qual é o seu problema, garota?

And the weight of their smile gets
E o peso do sorriso deles se torna

Too much for you to bear
demais para você suportar

When they all make you feel
Quando eles fazem você se sentir

Like you're a problem, girl
como se você fosse um problema, Garota

Remember, you're no problem at all
lembre-se você não é um problema de maneira alguma

You're no problem at all
você não é um problema de maneira alguma

Pride, like promises, can let you down
Orgulho, como promessas, podem deixar você para baixo

You thought that you'd be feeling
você pensou que estaria se sentindo

Better by now
melhor agora

And you worry all the things they could do to you
Você se preocupa com todas as coisas que eles poderiam te fazer

And you worry about the things they could say
e você se preocupa com todas as coisas que eles poderiam dizer

Maybe you're seeing things the wrong way
Talvez você esteja vendo do jeito errado

And when the kids on the street say
What's your problem, girl?
And the weight of their smile gets
Too much for you to bear
When they all make you feel
Like you're a problem, girl

Try
tente

If you stand or you fall
se você fica de pé ou se você cai

You're no problem at all
você não é um problema

You're no problem at all (you're no problem at all)

domingo, 24 de outubro de 2010

A raiva de Si Mesma

E a Flor segue sua vida
e segue também a limpeza
de sua alma onde todos
os dejetos emocionais aparecem
assim como em um rio poluído

E eis que aparece a raiva
mas não a raiva dos outros
mas raiva da propria flor
pois foi ela mesma quem
prejudicou sua vida

A raiva da própria ignorância
a raiva da própria imaturidade
a raiva de si mesma

A Flor a essa altura já sabe
reprimir nada resolve
então ela aceita a raiva de si mesma
e a expressa. E a observa
para ver o que se pode descobrir
através dessa raiva

E se nada descobrir tudo bem
então a raiva teve o propósito
de fazer nascer esse poema

sábado, 23 de outubro de 2010

Aceitação

A Flor enfim percebeu
o remédio para a frustração
tal remédio se chama: Aceitação

Aceitação mesmo se acontecer
algo que a Flor não goste
aceitação não significa gostar
significa estar em paz com a situação
seja que situação for

significa não se revoltar contra ela
significa apenas ver que apesar
do desejado não ter acontecido
A Flor continua viva

E o desejado ainda pode acontecer
e talvez de forma ainda melhor
do que foi planejado

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mundo de Ilusões

A realidade deixava a Flor ansiosa
A Flor preferia viver no mundo dos
seus sonhos. Lá ela poderia conseguir
o que jamais conseguiria no mundo real

O sonho pode ser um impulso
mas não da maneira que a Flor o usava
da maneira que ela usava era uma fuga
uma fuga contra a realidade que
a Flor considerava muito cruel

Mas a Flor percebeu algo
o mundo que ela acreditava ser real
é ilusório. É todo baseado em falsas crenças

Como a crença de que a Flor é incapaz
como a crença de que ela nunca
poderia sequer conseguir amizades
como a crença de que sentir seus reais
sentimentos é perigoso e seria sua ruina

Então a Flor viu que o seu mundo real
não passava na verdade de um mundo de ilusões
E a medida que o mundo de ilusões
foi sendo derrubado a Flor percebeu
que não precisa fuzir para o mundo dos sonhos
que pode tornar o mundo dos sonhos real

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ser Diferente

A Flor passou a vida a se perguntar
haveria nesse mundo um local para ela?
haveria algum grupo em que ela pertencesse?
porque ela tinha de ser tão diferente?
porque ela não poderia ser mais igual a todos?

A Flor se espantou quando descobriu pessoas
que consideravam uma benção ser diferente
para a Flor parecia mais maldição
qual era a grande vantagem disso afinal?

Ser excluída de todos os grupos?
incomodar a todos com sua diferença?
Ser vista como um ser estranho?
Não se sentir em casa em local algum?

Mas a vida é interessante e as vezes
usa maneiras não usuais para nos fazer enxergar
e hoje a Flor percebe que essas perguntas
a empurraram para um outro nível
possibilitaram sua transformação

Sem essas perguntas a transformação
nunca teria acontecido e então
nem esse poema nem o blog existiriam
Pois o blog nasceu de sua transformação
e sua transformação nasceu dessas perguntas.

domingo, 17 de outubro de 2010

A Crença na Incapcidade

A Flor tinha uma forte crença
uma crença negativa e tão forte
que dominava completamente sua vida

Essa crença poderia ser expressa assim:
Eu sou incapaz. Eu não sou tão boa
quanto as outras flores. Eu não sou
boa o suficiente para conseguir meus objetivos

E conforme a Flor seguia sua vida
essa crença parecia se confirmar
E assim a crença em sua incapacidade
ficava cada vez mais forte.

E quanto mais forte ficava
mais difícil era seguir sua vida
até que chegou o momento que tal
crença tornou impossível para a
Flor continuar a levar sua vida

Então uma mudança ocorreu
A Flor entendeu que não
conseguia as coisas não por ser
incapaz por por acreditar que era

E então ela começou a mudar essa crença
e sua vida mudou e está bem melhor
agora. Hoje a Flor sabe que é capaz

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Consciência

Eis mais uma palavra
que a Flor teve de ressignificar
ao longo de sua caminhada
a palavra é: Consciência

O que seria consciência?
Para a Flor consciência
era a voz que a condenava
e severamente a cada
mínima falha e lhe dizia:
Você é péssima se fosse realmente
boa não faria algo assim

Mas a Flor descobriu
estava enganada isso
nada tinha a ver com Consciência
Na verdade isso poderia ser chamado
de tirania interna

Na tirania interna há um padrão
de comportamento impossível de alcançar
e quando não é alcançado o tirano
se prepara para o julgamento

A Consciência não julga
apenas observa. Pode até concluir
que tal comportamento é prejudicial
mas não o julga, apenas constata
e ao constatar apenas muda
sem julgamentos, sem auto punição

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Responsabilidade

E a Flor segue seu caminho
um caminho de auto descoberta
nele algumas palavras passaram
a ter um significado totalmente
diferente que tinham até então

Uma dessas palavras é: Responsabilidade
o que seria responsabilidade?
Na antiga visão da flor seria:
o cumprimento de todas as
suas obrigações

No entanto sua percepção aumentou
e essa definição teve de mudar
a definição atual da Flor é:
Responsabilidade é a habilidade
de conduzir sua própria vida
e a disposição de olhar para dentro de si
quando algo desagradável acontece
descobrir a raiz em si mesma
ao invés de culpar os outros
pelo o que acontece que
não lhe agrada.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Grande Virada Parte 2

Continuando a História sobre a grande virada na vida da Flor.

A Flor foi se tornando cada vez mais próxima do amigo que ela encontrou no chat espiritualista. Ela se abriu com ele e confiou nele como nunca tinha feito com ninguém. E naquela época,ele era o único que realmente compreendia o que a Flor estava passando. Ele ajudou a Flor a perceber muitas coisas. E foi dando a Flor coragem para começar a se expor mais. Parar de se esconder o tempo todo.

E então no final de 2008 a Flor resolve treinar. E começa a postar no orkut. Isso era muito para a Flor. Pois ela evitava se expor até pela internet. Ela entrou numa comunidade sobre indigos, mas não por se considerar uma. A Flor achou que lá teria mais chance de entenderem o que ela estava passando. E parece que ao decidir se expor mais, mesmo pela internet, a Flor colocou algo em movimento. Um movimento que ela não podia mais parar. Mesmo quando ela quis que esse movimento parasse,

E ela encontrou uma amiga. A Vida dela estava uma confusão também. E então elas começaram a compartilhar. Mas algo aconteceu. Essa amizade não estava sendo o que a Flor esperava. A Flor sentia que sua amiga se incomodava com suas vitórias. A Flor tinha tendência a se auto depreciar e agora isso estava mudando. A Flor estava conseguindo falar coisas positivas a seu respeito. E incomodou muito que a pessoa que a Flor via como sua companheira de jornada se incomodasse com isso. A Flor se sentia uma pecadora ao falar de suas conquistas com a amiga. Isso a magou muito e a deixou com muita raiva. O "normal" da Flor seria ela se fechar mais uma vez. Ver isso como uma prova de que essa coisa de seja você mesma é mesmo um clichê.

Mas a Flor estava diferente. Naquele momento toda raiva acumulada dentro dela surgiu como um vulcão. E nessa raiva teve algo muito positivo. Pois empurrou a Flor para a mudança.

Então a Flor pensou: "não vou me esconder coisa nenhuma, Chega!!!" A Flor então dicidiu fazer o blog e se não gostassem do blog dane-se. De certa forma esse blog existe porque pela primeira vez na vida da Flor a raiva foi mais forte que o medo.

O tempo passou e a raiva da Flor foi diminuindo. E ela foi voltando a sentir o carinho que sentia pela amiga. Elas se reencontraram. E se entenderam. E a Flor descobriu que tuda essa discussão foi um grande mal entendido. Acontece que essa amiga não entendia o quão extremo era a sua auto depreciação. E achou que a flor estava deslumbrada. Mas ela apenas estava treinando se valorizar. E a Flor entendeu que não pode exigir que todos a entendam por mais que goste da pessoa.


E assim a Flor e a amiga se uniram outra vez e seguem juntas na jornada.

sábado, 9 de outubro de 2010

A Grande Virada parte 1

Dessa vez eu escreverei em forma de história. Esse é a história de como a vida da Flor mudou completamente de direção.

Era o ano de 2007. A Flor estava no ultimo período de faculdade. E nada estava saindo da maneira que a Flor havia imaginado. Ela não era excelente aluna, mas era boa. A flor achou que isso seria o suficiente mas nesse mesmo ano ela veria que estava enganada.

Os estágios começaram e sua insegurança era visível para os supervisores de todos os estágios que ela passou. E ninguém ficou satisfeito. Até mesmo na area que a Flor mais queria disseram a ela: "talvez essa area não seja para você."

Isso deixou a Flor no chão. Como se seu mundo tivesse desabado. Os estudos era tudo que ela tinha. Boa aluna era tudo que ela parecia ser. Ela contava que depois que terminasse seus estudos se tornaria uma excelente profissional. Esse era seu plano. Mas estava claro para Flor. Isso não aconteceria. Se estava dessa forma nos estágios como seria em um emprego?

A Flor ficou completamente perdida. Não sabia mais o que fazer. Sentia que não era boa em absolutamente nada.

A Flor ouviu falar do Livro Conversando com Deus. E apesar da Flor não ter lido o livro ela sabia que o autor havia escrito uma Carta para Deus e Deus havia respondido.

Em um dos dias mais dificei do estagio a Flor resolveu fazer o mesmo. De repente Deus respondia.
e assim a Flor fez. Nessa carta ela contou toda sua tristeza e desesperança. E depois ficou esperando sua mão se mover. Seria Deus respondendo.

Esperou por um tempo e nada. Então a Flor depois de um tempo concluiu que estava ficando totalmente doida. Ninguém poderia ver aquela cartas. Ela pegou a Carta rasgou em pedaços pequenos para ninguém conseguir ler e jogou-a no lixo.

Alguns meses se passaram. E em um chat espiritualista de lingua inglesa a Flor encontrou um Brasileiro que lhe ofereceu sua amizade. A Flor não entendeu porque ele fez isso. Mas como tudo o que ela queria naquele momento era um amigo ela aceitou.

E fez bem. Porque esse amigo foi a primeira pessoa que a Flor encontrou que acreditou que ela tinha algum potencial. E assim sua vida começou a mudar de direção.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Revolução Interior

A Flor passou a vida
representando um papel definido
esse papel era: A menina estudiosa
a menina obediente, a menina meiga
a menina insegura, e um tanto isolada

Isso tudo era a flor ou ao menos parecia
a Flor não conseguia se ver de forma diferente
e ninguém a via de forma diferente também

Sua convicção de ser uma estudante era tal
que mesmo após completar um curso superior
não conseguia se ver como uma profissional

No entanto quando algo começou a se agitar
em seu interior ela foi ficando insatisfeita
super insatisfeita com esse papel

E coisas foram acontecendo e a Flor
foi mudando. Sua agressividade começou
a aparecer e se manifestar
A Flor não era mais sempre meiga

A Flor começou a trabalhar e a se
ver como uma profissional
e esses são apenas alguns exemplos.

No momento a unica coisa que a Flor sabe
é que está em meio de uma verdadeira
revolução interior

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Mergulho

A Flor está mergulhando
em uma fascinante viagem
até as profundezas de sua alma

Nesse mergulho muitas vezes
a Flor encontra lodo
E isso a entristece por um tempo

Mas a Flor está descobrindo
algo para lá de surpreendente
Ao retirar o lodo a Flor descobre
O lodo escondia algo valioso
uma pérola preciosa

Pérola essa que a Flor nunca
desconfiaria existir nas profundezas
de sua alma se não tivesse coragem de
ir até o lodo para limpá-lo

O mais gratificante nesse mergulho
está sendo descobrir essas pérolas
que a Flor achava que não tinha
mas descobriu que elas
apenas estavam escondidas pelo lodo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Repulsa

A Flor prossegue seu processo
e nele seus reais sentimentos
passam a aparecer.

E a Flor descobre algo
ela não é tão indiferente
a certas coisas como achava

Pelo contrario sua indiferença
é algo que esconde seus reais sentimentos
as vezes medo, as vezes total repulsa
provavelmente uma mistura dos dois

A Flor descobriu que evita
certas experiências de vida
com uma repulsa total a essas
experiências. Quase como se vive-las
significasse a sua ruína

Mas agora que a Flor tomou
consciência disso. Ela
trabalhará essa repulsão
Pois no fundo a Flor sabe
Não há menos necessidade de evitar
experiências sejam elas quais forem

sábado, 25 de setembro de 2010

Mhia - A menina que resistiu ao fato de ser uma princesa

A Flor assistiu ao filme o Diário da princesa há alguns anos atrás. E apesar de o filme ser infantil e dela não ser mais criança a Flor se identificou com Mhia em muitos aspectos. Nesse texto abordarei alguns deles:

Mhia era uma menina tímida e nada popular. Tinhas apenas uma amiga no colégio. E era muito zoada por praticamente todo mundo. E tudo bem. Ela se conformou com isso.

Um dia a avó resolve aparecer na vida dela. E com ela traz uma noticia surpreendente: Seu pai, que ela nunca chegou a conhecer pessoalmente, e que faleceu a pouco tempo era o rei de um país. O que a tornava uma princesa.

Sua a avó lhe contou isso. E disse que aceitava o desafio de transformá-la em uma princesa. E que mais tarde ela reinaria o tal país. A essa altura Mhia que já estava bastante surpresa falou: Para tudo!! reinar!? Eu nunca liderei na nada, nem na escola, nem nos escoteiros... Meu corpo ainda nem acabou de mudar. E além do mais. Eu não quero ser uma princesa.

A Flor não lembra das palavras usadas no filme mas a essência da reação de Mhia está aí. Depois de ter dito tudo isso Mhia saiu correndo.

Mhia ficou muito chateada com a mãe por ela ter escondido que seu pai era um rei. E reenterou a mãe que não queria ser uma princesa. Uma das coisas que ela disse foi: "as pessoas já me acham muito esquisita imagina só com uma Tiara".

Mas a avó e Mhia fizeram um acordo. Nele Mhia prometia não aceitar nem recusar a proposta de realeza até o baile onde ela tomaria "posse" digamos assim. Enquanto isso iria as aulas de princesa. E a avó se comprometeu a não cobrar uma resposta até lá.

E assim Mhia começou a frequentar as aulas o que gerou nela uma verdadeira transformação. Tanto na aparência física quanto no seu interior. E gerou algumas repercussões exteriores. Nem todos aceitaram bem sua mudança.

Apesar de toda a sua resistência interna no final Mhia aceitou o fato de ser uma princesa.

Com a Flor as coisas aconteceram de modo muto semelhante. Quando um amigo lhe disse que ela passaria por uma transformação que mais tarde lhe possibilitaria ajudar outros. A Flor achou um absurdo. E as vezes ainda acha. Afinal ela era apenas uma menina muito estudiosa que todos zoavam e ninguém levava muito a serio. Mhia resistiu ao fato de ser uma princesa. E a Flor resistiu ao fato de luz e sabedoria residirem dentro dela. Se isso fosse verdade sua vida não seria uma confusão.srsrsrs

Mas mesmo com essa resistencia as transformações aconteceram e ainda acontecem e sua vida. E assim a Flor segue suas aulas de treinamento para se tornar ou ver a princesa que existe dentro dela.